A questão que gostava de discutir [vincular a minha opinião e saber a vossa], é até que ponto eu sou dono de mim, do meu destino e do meu corpo...
Será que em todos os momentos da minha vida eu sou dono da minha liberdade e da minha vida?!
Será que existe uma justificação plausível para a vontade da sociedade e do estado se sobreponham à minha no que concerne ao meu futuro e o do meu corpo?!
Será que eu poderei estar em tal estado de sofrimento, que a única saída para a felicidade seria a minha partida para o vazio e não o poderei fazer porque.... Bem, porque nós enquanto pessoas sérias, responsáveis e cristãs pertencentes à sociedade achamos que não! A morte jamais será sinónimo de felicidade!
Será que eu poderei estar num estado vegetativo profundo, sem possibilidades de agir, nem pensar, nem qualquer outra coisa que demonstre vida e mesmo assim terei que permanecer agarrado a um corpo morto porque... Bem, porque nós enquanto indivíduos altamente inteligentes e desenvolvidos do ponto de vista humano e pensamos que seria um assassinato!
Será que simplesmente não poderei por colocar um término à minha existência apenas porque não existe um sentido para a mesma na minha cabeça, sem ser rotulado de louco e colocado logo num sanatório?!
Tantos serás que coloco e tantos serás de difícil resposta... Eu penso que esta situação varia de acordo com duas variáveis: existência de vários níveis de gravidade na situação clínica de uma pessoa para que esta possa colocar esta questão e a existência de diversos níveis de deterioração da situação psicológica de alguém para que queira seguir este caminho.
Uma coisa eu penso ter direito, a uma vida digna e feliz. E se em algum momento da minha vida, não tenha essa dignidade nem felicidade quero ter a possibilidade de poder escolher viver ou morrer, mesmo que para esse acto necessite do auxilio de alguém. Essa não seria uma pessoa vestindo o papel de carrasco mas sim herói, porque me libertaria...
Para mim este ponto parece-me claro, o problema aparece quando existem dúvidas sobre a minha capacidade de decisão, por questões psicológicas ou físicas.
Não querendo entrar na área dos psiquiatras ou psicólogos, sou liberal ao ponto de afirmar que também uma pessoa doente mental tem o direito à escolha, com uma ressalva, a nossa intromissão nesse processo terá que ser exclusivamente o de esclarecimento, isto é, procurar colocar um pouco de realidade à pessoa doente de modo a que ela perceba o significado dessa decisão.
Mais complicado é determinar até que ponto uma pessoa em coma ou em estado vegetativo está viva! Aqui, sendo um absoluto leigo em tudo o que diz respeito aos domínios da medicina, penso que será necessário determinar um espaço temporal que seja plausível na espera da recuperação, na espera de sinais de vida, para que depois desse tempo se deixe essa alma partir. Sei também que é impossível cientificamente determinar uma data simplesmente porque nossos corpos não se regem pelo tempo que determinamos mas é a única saída que encontro...
Uma problemática demasiado alargado esta que fui explanando mas relativamente à situação em que uma pessoa está largada numa cama, sem possibilidade de exprimir na realidade a sua opção por partir, defendo que, nós pessoas sérias, responsáveis, inteligentes e cristãs constituintes desta sociedade temos o dever em seguir a sua vontade na mesma medida em que essa pessoa tem o mesmo direito de a escolher.

2 comments:
Nas primeiras vezes que pensei neste assunto, a minha grande dúvida (e ainda continua a ser…) recaiu sobre a distinção entre matar e deixar morrer. Se alguém me conseguir explicar agradeço, porque até hoje ninguém o foi capaz de fazer.
Nos dias de hoje possuímos tecnologias que permitem atrasar o momento da morte. É função dos médicos aplicarem os seus esforços no alívio daqueles que sofrem (em termos muito gerais)… no entanto, aqueles que sofrem podem sentir desde dores desconfortáveis a dores intoleráveis que acredito que levam à exaustão, que levam à desistência daquilo a que todos temos direito, à VIDA.
Porque acredito que todos temos medo da morte e do sofrimento, defendo que devemos ter o direito de optar. Optar por uma dor insuportável, ou pelo vazio de que falas… Mas depois temos os casos que referes, de pessoas que não podem tomar as suas próprias decisões. Poderão estas ficar sujeitas ás decisões de um ‘representante’?? Aqui o tema fica novamente em aberto… será livre o pedido de morrer nestes casos??
Poderia dizer tanto e tanto ainda ficaria por dizer…
Deixo mais uma questão:
- Atendendo a que o suicídio não é crime, será crime ajudar alguém a suicidar-se?
Juridicamente não te sei responder à pergunta mas penso que é crime ajudar alguém a suicidar-se,se essa pessoa possui todas as capacidades para o fazer.
A eutanásia é a ajuda à morte de alguém incapcitado para o fazer.
Não creio que seja preciso ter dor para desejar a morte. Penso até que a falta de dor, falta de sentir também pode levar à morte.
No entanto, penso que quem não queira mais viver tem esse direito mesmo que esteja entrevado numa cama sem se poder mexer. A vontade dele deve ser respeitada e nesse caso deve deve ser criado um método da pessoa iniciar esse processo através de por exemplo uma ordem sonora ou então um toque com a boca.
Relativamente aos pacientes vegetais, aí é uma questão de desligar uma máquina, sendo que a vida já foi desligada...
WIKIPÉDIA - "Eutanásia (do grego ευθανασία - ευ "bom", θάνατος "morte") é a prática pela qual se abrevia a vida de um enfermo incurável de maneira controlada e assistida por um especialista.
A eutanásia representa atualmente uma complicada questão de bioética e biodireito, pois enquanto o estado tem como princípio a proteção da vida dos seus cidadãos, existem aqueles que, devido ao seu estado precário de saúde, desejam dar um fim ao seu sofrimento antecipando a morte.
Independentemente da forma de Eutanásia praticada, seja ela legalizada ou não (no Brasil esta prática é ilegal), é considerada como um assunto controverso, existindo sempre prós e contras – teorias eventualmente mutáveis com o tempo e a evolução da sociedade, tendo sempre em conta o valor de uma vida humana. Sendo eutanásia um conceito muito vasto, distinguem-se aqui os vários tipos e valores intrinsecamente associados: eutanásia, distanásia, ortotanásia, a própria morte e a dignidade humana.
Antes de mais nada, é importante ressaltar que a eutanasia pode ser dividida em dois grupos: a "eutanásia ativa" e a "eutanásia passiva". Embora existam duas “classificações” possíveis, a Eutanásia em si consiste no ato de facultar a morte sem sofrimento, a um indivíduo cujo estado de doença é crônico e, portanto, incurável, normalmente associado a um imenso sofrimento físico psíquico.
A "eutanásia ativa" conta com o traçado de acções que têm por objectivo pôr término à vida, na medida em que é planeada e negociada entre o doente e o profissional que vai levar e a termo o ato.
A "eutanásia passiva" por sua vez, não provoca deliberadamente a morte, no entanto, com o passar do tempo, conjuntamente com a interrupção de todos e quaisquer cuidados médicos, farmacológicos ou outros, o doente acaba por falecer. São cessadas todas e quaisquer ações que tenham por fim prolongar a vida. Não há por isso um ato que provoque a morte (tal como na Eutanásia Ativa), mas também não há nenhum que a impeça (como na Distanásia).
É relevante distinguir eutanásia de "suicídio assistido", na medida em que na primeira é uma terceira pessoa que executa, e no segundo é o próprio doente que provoca a sua morte, ainda que para isso disponha da ajuda de terceiros.
Etimologicamente, distanásia é o oposto de eutanásia. A distanásia defende que devem ser utilizadas todas as possibilidades para prolongar a vida de um ser humano, ainda que a cura não seja uma possibilidade e o sofrimento se torne demasiadamente penoso."
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